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O silêncio do Leste: refugiados do stalinismo no Paraná

O silêncio do Leste: refugiados do stalinismo no Paraná

Sinopse

O Doutor em História André Ulysses De Salis investiga os processos de expulsão e refúgio de grupos do Leste Europeu para o Paraná e a relação desse deslocamento com as políticas adotadas pela URSS no período stalinista. Depoimentos e memórias de sujeitos históricos que vivenciaram essa experiência permitem reflexões sobre as significações e ressignificações de trajetórias, bem como sobre os silenciamentos. A análise acerca dos processos de silenciamento e a construção da taxonomia dos refugiados do stalinismo apontam que a categorização efetuada no período stalinista ocultava questões complexas, envolvendo a participação e a anuência de outros governos e nações, inclusive das potências ocidentais, e seu emprego serviu tanto para rotular adversários como para dissimular perseguições. O ingresso de sujeitos históricos e de alguns grupos estrangeiros no Brasil possui uma estreita ligação com essas políticas, especialmente no caso de três grupos que se deslocaram do Leste Europeu para o Paraná – para as regiões dos Campos Gerais e Centro-Sul do Estado –, a saber: a colônia de língua alemã de Witmarsum/Palmeira; os "imigrantes/refugiados" ucranianos que se deslocaram para Prudentópolis; e, por fim, a colônia, também de língua alemã, de Entre Rios/Guarapuava. O deslocamento desses grupos para o Brasil ocorreu em momentos diferentes, que compreendem o período entreguerras e, principalmente, o pós-Segunda Guerra Mundial. A vinda e os fatores de expulsão apresentaram motivações distintas, examinadas ao longo do estudo. Contudo, independentemente das singularidades, existe ao menos uma similitude que os define como refugiados: todos fugiram do stalinismo. Dessa forma, a pesquisa debruça-se sobre os sentidos e significados de expressões como deslocados, refugiados, apátridas, colaboracionistas e "inimigos do povo". Por meio da memória e do rememorar de quem migrou, busca analisar as experiências e as consequências desse refúgio, bem como o emprego sistemático das expressões para rotular e justificar os processos de expulsão e o silêncio/esquecimento erigido em torno da temática pelos diversos agentes envolvidos.